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Sudoeste baiano: Fogueiras consomem três mil árvores durante  a noite de São João

Como se não bastasse a devastação de 400 hectares de mata nativa por dia no sudoeste baiano para fabrico de carvão, nesse período do ano – em que se comemoram os festejos juninos – o meio ambiente regional sofre mais um ‘golpe’, em nome da tradição. As tradicionais fogueiras de São João já estão disponíveis para a venda em Conquista, mas alguns comerciantes entrevistados informaram que a procura ainda é tímida.

PESQUISA

De acordo com a pesquisa, Fogueiras de São João e o impacto ambiental nas matas do Planalto de Conquista (lançada em 2007 e sempre atualizada), todos os anos, três mil árvores são transformadas em lenha. Numa única noite de São João (e ainda assim por amostragem), 771 fogueiras são queimadas em Vitória da Conquista.

Os pesquisadores autores do estudo, José Cláudio Flores, professor doutor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb), e Cláudia Silveira Mendes, mestre em Desenvolvimento Rural, polemizam ao abordar o desmatamento em nome dos festejos juninos.

Segundo eles, os estragos à natureza são visíveis por conta da extração e devastação da mata, a exemplo da redução de espécies da fauna, como tamanduá, onça-pintada, tatus e aves. Para sustentar a tese, citam a evasão de animais do habitat natural para a zona urbana de Vitória da Conquista, fugindo da ação predatória humana.

Em outro estudo dos mesmos pesquisadores, sob o título Impacto Ambiental e Demanda de Madeira/Lenha em Vitória da Conquista, o documento denuncia um consumo mensal de 2 mil metros cúbicos de lenha em nove atividades.

“Aplicamos questionários em 106 empreendimentos, desde padarias, fábricas de farinha e de biscoito, torrefadoras de café, reformadoras de pneus, cerâmicas, moinhos, e indústrias de sabão e de calçados. Todas no perímetro urbano da cidade”, detalham os pesquisadores.

FISCALIZAÇÃO

A Prefeitura de Conquista informou, em nota no site oficial, que “para garantir a segurança da população durante este período e coibir o desmatamento e a retirada ilegal de madeiras não apropriadas para essa finalidade, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma) realiza, a partir da próxima semana, a Operação São João”.

A nota reforça que a comercialização de espécies nativas é ilegal. “Além disso, madeira de origem plantada que recebeu tratamento químico também está proibida, já que esses produtos, quando em combustão, são altamente poluentes. Por isso, recomendamos a utilização da madeira de floresta plantada, principalmente, eucalipto”, sugere o gerente de Fiscalização da Semma, Clédson Alves.

Ele ainda explica: “para comercialização de madeira, o vendedor precisa ter o documento de origem da madeira, que é a documentação de origem florestal ou registro de atividade”.

SERVIÇO

A comercialização de fogueiras com madeira ilegal é um crime ambiental previsto na Lei Federal nº 9.605/98. As denúncias podem ser feitas por meio dos telefones: (77) 3429-7902/7906.

(Fonte: Sudoeste Digital)

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