Início Covid-19 Vacina AstraZeneca: quais os sintomas, as reações e os possíveis efeitos colaterais entre vacinados?

Vacina AstraZeneca: quais os sintomas, as reações e os possíveis efeitos colaterais entre vacinados?

Por Reginaldo Spínola
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A vacina da AstraZeneca contra a Covid-19, produzida no Brasil em parceria com a Fiocruz, tem apresentado reações – já previstas na bula – em parte dos vacinados.

Abaixo, confira respostas para 12 perguntas relacionados à aplicação do imunizante:

  1. Quais são os efeitos colaterais mais comuns da vacina AstraZeneca/Oxford?

De acordo com os dados reunidos nos estudos clínicos de fase 3, os efeitos colaterais mais comuns associados à vacina foram:

  • Sensibilidade no local da injeção (relatada por mais de 60% dos voluntários);
  • Dor no local da injeção, dor de cabeça e fadiga (relatadas por mais de 50% dos voluntários);
  • Dor no corpo e mal-estar (relatadas por mais de 40% dos voluntários);
  • Febre e calafrios (relatados por mais de 30% dos voluntários);
  • Dor nas articulações e náusea (relatadas por mais de 20% dos voluntários).
  • A maioria das reações adversas foi de intensidade leve a moderada e normalmente resolvida poucos dias após a vacinação. As reações adversas foram mais frequentes após a primeira dose da vacina.

Um efeito colateral incomum é o inchaço das glândulas na axila ou no pescoço, no mesmo lado do braço onde foi aplicada a vacina. Isso pode durar cerca de 10 dias, mas, se durar mais, consulte seu médico.

As reações adversas foram geralmente mais leves e relatadas de forma menos frequente em idosos (com 65 anos de idade ou mais).

  1. Quanto tempo após a injeção podem surgir os efeitos colaterais? Quanto tempo eles duram?

Os efeitos colaterais normalmente aparecem em um período de até 2 dias após a vacinação, e costumam durar por, no máximo, dois dias.

Se novos sintomas aparecerem a partir do 4º dia depois da vacinação, procure um médico.

  1. Posso tomar remédio contra os efeitos colaterais? Algum não é recomendado?

Sim, você pode tomar remédios para os efeitos colaterais – de preferência dipirona ou paracetamol.

“Os medicamentos mais recomendados para reações à vacina são paracetamol e dipirona. Algumas pessoas têm sensibilidade à dipirona, não conseguem tomar, então elas devem ficar com o paracetamol”, explica a farmacêutica e bioquímica Laura Marise, doutora pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e cofundadora do canal “Nunca vi 1 Cientista”, na rede social “YouTube”.

Mas atenção: em 27 de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alertou para os riscos do uso indiscriminado de paracetamol para os efeitos colaterais da vacina de Oxford.

A agência recomendou que “o uso do medicamento deve ser feito com cautela, sempre observando a dose máxima diária e o intervalo entre as doses, conforme as recomendações contidas na bula, para cada faixa etária”. Em adultos, por exemplo, a dose máxima de paracetamol é de 4g/dia.

Já anti-inflamatórios – como aspirina, diclofenaco ou ibuprofeno – não são recomendados, explica Laura Marise.

“No início de uma infecção ou no desenvolvimento da imunidade contra a vacina, a gente precisa que o processo inflamatório aconteça, porque é o processo inflamatório que vai desencadear toda a resposta imunológica nesse caso”, diz a farmacêutica Laura Marise.

Mas calma: se você já tomou um comprimido de ibuprofeno, é provável que o remédio não vá comprometer os efeitos da vacina.

“O maior problema, nesse caso, para evitar, é uma questão recorrente, de ter que tomar vários comprimidos, porque fica vários dias com dor no corpo e febre – nesse caso, se tiver que tomar mais vezes, é melhor realmente evitar todos os anti-inflamatórios de forma geral”, recomenda a farmacêutica.

  1. Devo tomar a vacina de AstraZeneca/Oxford se estiver grávida?

Não. No dia 10 de maio, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) recomendou a suspensão da aplicação da vacina de Oxford/AstraZeneca em grávidas. A recomendação veio depois da morte suspeita de uma gestante de 35 anos. Ela sofreu um acidente vascular cerebral após receber a vacina. O bebê também morreu.

O Ministério da Saúde recomendou que as que já tivessem recebido a primeira dose da vacina só recebessem a segunda dose após o fim da gestação e do puerpério (45 dias após o parto) para completar o esquema vacinal.

  1. Qual é o risco de trombose após tomar a vacina?

Os casos são raros. As estimativas publicadas da incidência de trombose após a vacina (VITT) de Oxford/AstraZeneca variam de 1 caso a cada 26,5 mil doses aplicadas a 1 caso a cada 148,2 mil doses aplicadas, segundo um levantamento feito por especialistas e cientistas da província de Ontário, no Canadá.

Os dados de incidência ainda são preliminares – porque a vacina está sendo aplicada há muito pouco tempo na maioria dos países e porque alguns casos ainda estão sendo investigados. Na Itália, por exemplo, houve 11 casos após 1,63 milhão de doses aplicadas.

Dados do Reino Unido sugerem que há um incidência mais alta nos grupos de adultos mais jovens em comparação com os mais velhos e que a incidência é maior em mulheres do que em homens, embora isso não seja observado em todas as faixas etárias e a diferença permaneça pequena.

  1. Se eu já tive trombose antes, tenho maior risco de ter depois da vacina?

Até onde se sabe, não. Isso porque os mecanismos por trás de uma trombose “normal” e de uma trombose pós-vacina são diferentes, explica a hematologista Menaka Pai, professora associada de medicina na McMaster University, na província de Ontário, no Canadá, e especialista em trombose na Hamilton Health Sciences.

Os coágulos “normais – que aparecem depois de um parto, de uma cirurgia ou que vêm de histórico familiar – têm a ver com fatores de coagulação. Já os coágulos que aparecem depois de uma vacina têm a ver com o sistema imune. Há apenas uma exceção – que é a trombose induzida por heparina (veja detalhes na pergunta 12).

A trombose que ocorre pós-vacina chama-se VITT: sigla em inglês para trombocitopenia trombótica imune induzida por vacina (“vaccine-induced immune thrombotic thrombocytopenia”).

“Com a VITT, o que acontece é que você recebe uma vacina – AstraZeneca ou J&J – e, cerca de 4 a 28 dias depois, o corpo pode começar a produzir anticorpos que atacam as plaquetas do próprio corpo. E essas plaquetas ativadas começam a causar coágulos sanguíneos em muitas áreas diferentes”, explica Menaka Pai, que integra o grupo de especialistas que guiam a resposta científica da província de Ontário.

  1. Como saber se um sintoma é alerta de trombose?

Fique alerta para os seguintes sintomas entre 4 e 28 dias depois da vacinação:

  • Dor de cabeça forte e persistente;
  • Sintomas neurológicos focais (podem ser paralisia, fraqueza, perda de controle muscular, aumento ou perda do tônus ​​muscular, movimentos involuntários, tremores, sensações anormais, dormência ou diminuição de sensação, perda de coordenação ou de controle motor fino, mudanças na visão, dificuldade para engolir e engasgo frequente, dificuldades de fala, linguagem ou de escrita, falta de habilidade para ler ou compreender a escrita, entre outros);
  • Convulsões;
  • Visão borrada ou dupla;
  • Falta de ar;
  • Dor nas costas, peito ou abdômen;
  • Inchaço e vermelhidão em um membro;
  • Palidez e frieza em um membro;
  • Sangramentos incomuns;
  • Vários pequenos hematomas no corpo;
  • Manchas vermelhas ou roxas no corpo;
  • Bolhas de sangue.
  1. Existe alguma maneira de prevenir a trombose pós-vacina?

Não. Assim como não há fatores de risco conhecidos, também não há fatores de prevenção conhecidos, explica Menaka Pai. O que se pode fazer é saber quais são os sintomas e procurar atendimento médico o mais rápido possível.

  1. Se eu já tomo remédios anticoagulantes, tenho risco menor de ter trombose pós-vacina?

Provavelmente, não. Até onde se sabe, um anticoagulante comum, como a aspirina, não faz com que você tenha menos chance de ter uma trombose pós-vacina, porque os mecanismos por trás da trombose pós-vacina são diferentes da trombose “regular”.

“É [um mecanismo] realmente separado. Não temos fatores de risco que conheçamos, não temos fatores de proteção que conheçamos. Ouço as pessoas dizerem ‘normalmente, não tomo aspirina, mas vou começar depois de tomar a AstraZeneca’. Não faça isso. Em primeiro lugar, porque provavelmente não vai te ajudar. A outra coisa é que a aspirina também não é 100% segura. Não vai te ajudar e pode te prejudicar”, pontua Menaka Pai.

  1. A probabilidade maior de trombose é após a primeira ou a segunda dose?

Até agora, os dados sugerem que a probabilidade de trombose após a vacina (VITT) é maior após a primeira dose.

Até 19 de maio, a agência regulatória britânica (MHRA, na sigla em inglês) contabilizava 332 casos de VITT – trombose após vacina acompanhada de baixa contagem de plaquetas – no Reino Unido após a vacinação com Oxford/AstraZeneca. Desses, 17 casos foram relatados após a segunda dose.

Até a mesma data, o número estimado de primeiras doses da vacina administradas no Reino Unido era de 24,2 milhões, e o número estimado de segundas doses, de 10,7 milhões.

  1. Por que os casos de trombose só ocorreram com vacinas de vetor viral?

Até agora, só se tem notícia de casos de trombose em pessoas que receberam a vacina de Oxford/AstraZeneca ou a da Johnson. Ainda não se sabe exatamente por que isso acontece, mas ambas foram desenvolvidas com a tecnologia de vetor viral (veja infográfico mais abaixo).

No dia 26 de maio, a Bélgica suspendeu a aplicação da vacina da Johnson para pessoas com menos de 41 anos depois que uma mulher de 37 anos morreu após ter coágulos e baixa de plaquetas pós-vacinação. A morte está sendo investigada pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA, na sigla em inglês).

Até o dia 12 de maio, o CDC (Centro de Controle de Doenças, na sigla em inglês) dos Estados Unidos havia relatado 28 casos de coágulos após a vacina da Johnson.

  • O que dizem AstraZeneca e Johnson?

Após uma paralisação temporária da aplicação de sua vacina na Europa, em março, a AstraZeneca disse, no início de abril, que está “trabalhando para entender casos individuais e” possíveis mecanismos que podem explicar esses eventos extremamente raros“.

Em 9 de abril, o grupo Johnson&Johnson disse que nenhuma relação causal clara foi estabelecida entre a vacina e os coágulos. A vacina chegou a ter sua aplicação suspensa nos Estados Unidos poucos dias depois, mas, dez dias após a paralisação, a aplicação foi retomada.

  1. Existe algum grupo que NÃO deve receber a vacina de Oxford/AstraZeneca além das grávidas?

Conforme as orientações do governo britânico – primeiro a aprovar e aplicar a vacina de Oxford/AstraZeneca no mundo – a vacina está contraindicada nos seguintes casos:

  • Pessoas com hipersensibilidade à substância ativa ou a qualquer um dos excipientes da vacina: L-histidina, monoidrato de cloridrato de L-histidina, hexaidrato de cloreto de magnésio, polissorbato 80, etanol, sacarose, cloreto de sódio, edetato dissódico di-hidratado e água para injetáveis.
  • Pessoas que sofreram de trombose venosa e/ou arterial grave com trombocitopenia (baixa contagem de plaquetas no sangue) após imunização com qualquer vacina contra a Covid-19. Essas não devem receber uma segunda dose da vacina da AstraZeneca.
  • Pacientes com histórico de trombocitopenia e trombose induzidas por heparina (veja detalhes mais abaixo).

O governo britânico também recomenda conversar com um médico se você:

  • Alguma vez teve uma reação alérgica grave (anafilaxia) após qualquer outra vacina;
  • Tem atualmente uma infecção grave com temperatura elevada (acima de 38ºC);
  • Tem problemas com hemorragias, hematomas ou se está tomando anticoagulantes;
  • Tiver algum problema no sistema imunológico ou estiver tomando medicamentos que enfraquecem o sistema imune (corticoesteroides em altas doses, imunossupressores ou de tratamento para câncer).
  • Já teve um coágulo nos seios venosos do cérebro ou a síndrome antifosfolipídica (síndrome de Hughes).

A trombose induzida por heparina é o único tipo de trombose apontado como contraindicação para a vacina de Oxford/AstraZeneca.

Isso porque esse tipo de trombose – conhecida pela abreviação HIT – tem um mecanismo semelhante ao da induzida pela vacina (VITT).

“Em um número muito pequeno de pessoas, o corpo recebe heparina e, 4 a 28 dias depois, ele produz um anticorpo contra suas plaquetas. E é aí que está a semelhança [com a VITT] – a heparina pode causar coágulos sanguíneos ao ativar as plaquetas e fazê-las coagular. É o mesmo processo de plaquetas ativadas que está causando o problema”, explica Menaka Pai.

Ainda não há dados suficientes para determinar se quem já teve trombose por heparina corre mais risco de ter trombose pela vacina, mas “os anticorpos que vemos na trombose induzida por heparina parecem muito, muito semelhantes aos anticorpos que vemos na trombose induzida por vacina (VITT)”, explica a médica.

Ela pontua, entretanto, que as vacinas não têm heparina e que as pessoas que têm a VITT também não foram expostas à heparina.

Já a trombocitopenia, o baixo número de plaquetas no sangue, ocorre associada aos dois tipos de trombose (pela heparina e pela vacina). Ela ocorre porque, quando atacam as plaquetas, os anticorpos também as eliminam do corpo.

Para Menaka Pai, o aparecimento dos fatores coágulo + queda de plaquetas é um sinal importante para o qual médicos não especialistas precisam estar atentos. O quadro pode ser um sinal de que um paciente pode estar tendo uma trombose pós-vacina.

Nesses casos, o tratamento é feito com imunoglobulina intravenosa – e a pessoa não pode receber heparina, que seria o tratamento usual para problemas de coagulação.  // G1Globo

Itambeagora@gmail.com
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